As condições menos favoráveis no mercado de crédito no Brasil, reflexo da crise financeira internacional, vão provocar uma desaceleração no ritmo de crescimento da demanda interna em 2009, que também será afetada pela deterioração do mercado de trabalho e a conseqüente queda da massa salarial. A avaliação é da Confederação Nacional das Indústria (CNI), a partir de pesquisa divulgada nesta terça-feira, 16.
Segundo a avaliação da entidade, a demanda externa cairá com a recessão nas principais economias do mundo e os investimentos também se contrairão, em conseqüência da redução das expectativas para os mercados interno e externo. Por isso, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) prevê que o PIB brasileiro crescerá 2,4% em 2009, segundo o documento Economia Brasileira, divulgado nesta terça-feira, em Brasília.
O consumo das famílias deve registrar expansão de 3,0% em 2009, em nível de crescimento próximo da metade do que foi observado em 2008 (6,1%). O investimento será, entre os componentes da demanda interna, o que sofrerá a maior desaceleração no ritmo de crescimento em 2009. Nesse cenário, inclui-se a maturação dos investimentos ainda em curso em 2008, o encarecimento e menor disponibilidade de financiamento e a desvalorização do real. Os investimentos devem crescer 3,0% em 2009, comparativamente a uma expansão de 14,4% em 2008.
A recessão nas maiores economias mundiais deverá ter forte impacto sobre o comércio internacional, que crescerá 2,1% em 2009, segundo a estimativa da CNI, contra uma expansão de 4,6% em 2008. Dessa forma, as exportações brasileiras deverão cair em 2009 (de US$ 198 bilhões em 2008 para US$ 170 bilhões) e contribuir negativamente para o crescimento do PIB. Esse efeito será amenizado pelo recuo nas importações, provocado pela redução do ritmo da atividade econômica interna. As importações, que neste ano devem fechar em US$ 174 bilhões, em 2009 ficarão próximas a US$ 155 bilhões.
Segundo o documento divulgado pela CNI, a instituição prevê a inflação, medida pelo IPCA, em 4,8% em 2009, ante 6,2% neste ano. Desse modo, haverá convergência da taxa para próximo do centro da meta proposta pelo Banco Central (BC) para o ano, que é de 4,5%. A retração na demanda interna e a queda dos preços internacionais das commodities agem no sentido de reduzir a pressão por elevação dos preços, argumentam os técnicos da CNI no documento.
“O comportamento da inflação em 2009 abre espaço para que o Banco Central inicie, já a partir de janeiro, um processo de afrouxamento da política monetária”, assinala o documento. A expectativa é de um corte de 0,5 ponto percentual nas duas primeiras reuniões do ano, seguidos de reduções menos intensas nas demais reuniões de 2009. Com isso, a CNI projeta uma taxa Selic de 11,25% em dezembro de 2009, acumulando uma média de 12,2% no ano.
