Hoje tem marmelada? Tem sim, senhor! Hoje tem palhaçada? Tem sim, senhor! Mas e o palhaço, o que é? Ora, é o homenageado do dia!
A homenagem foi instituída graças à Companhia Abracadabra (grupo de artistas de São Paulo) que em 1981 criou a comemoração como forma de valorizar e homenagear os palhaços de todo o Brasil. Reconhecimento mais que merecido a esses profissionais que percorreram os principais períodos da história alegrando nobres e plebeus.
Nas cortes dos imperadores chineses, por exemplo, tinham tanto prestígio que eram capazes de influenciar nas decisões reais. Na Grécia antiga os palhaços contracenavam em comédias teatrais, onde após a apresentação de tragédias sérias encenavam a mesma história sob sua própria ótica – na qual os heróis apareciam como bobos. Vale ressaltar que uma das “vítimas” mais freqüentes era o lendário herói Hércules, que era mostrado como um azarado que alcançava às vitórias quase sempre por sorte, e não intencionalmente.
As diversas classes de palhaços também encantavam a Roma Antiga. Dentre os mais conhecidos estão Cicirro – um palhaço que usava máscara de cabeça de galo e cacarejava movendo os braços como asas – e o Estúpido – que usava um gorro pontiagudo e roupas de retalhos. Durante os espetáculos os outros atores aparentavam estar enjoados e batiam nos dois palhaços, o que provocava ainda mais risadas na platéia.
Porém uma das figuras cômicas mais conhecidas talvez seja o Bobo da Corte (ou Bufão), surgida na Idade Média. Diferentemente de outros períodos, neste os palhaços declaravam contos, cantavam baladas, eram músicos, malabaristas, mímicos, acrobatas e equilibristas. Na Alemanha eram chamados de “alegres conselheiros”, pois além de encantar a todos com sua arte ainda incluíam bons conselhos em suas observações.
Mas é importante destacar que foi na Idade Média também que o palhaço aprendeu a chorar. No fim do período – com a reabertura das casas teatrais que haviam sido fechadas no início da Idade Medieval – os palhaços atuavam em comédias religiosas, nas quais encarnavam os papéis de vícios, diabo, estupidez e até do próprio mal. Muitas vezes era o palhaço que explicava a história para a platéia. Entretanto, foi com William Shakespeare que o palhaço se tornou uma figura ainda mais dramática e passou a ser utilizado em cenas trágicas. Com isso, pouco a pouco esses profissionais foram ganhando tanta importância nesse tipo de representações quanto os atores sérios que interpretavam grandes clássicos.
Outra figura conhecida ainda hoje e que surgiu no século XVI, na Itália, com a Comédia de Arte, foi o Pierrô. Um personagem apaixonado pela Colombina, mas que não tinha o seu amor correspondido. Tradicionalmente retratado com uma lágrima escorrendo pelo rosto simboliza a idealização do amor. Da mesma companhia surgiu o Arlequim, um palhaço que usava roupas com recortes em losango e que, no início, tinha a única função de divertir o público durante o intervalo do espetáculo. Vale lembrar que cada personagem da companhia – que criou, ainda, o Pantaleão, o Briguela, o Polichinelo, o Doutor e o Capitão – provinha de regiões diferentes da Itália e possuíam características tão marcantes que muitas vezes os intérpretes eram conhecidos apenas pelos personagens (e não pelos seus nomes).
Palhaços do Brasil – O mundo do nariz vermelho tem espaço garantido no Brasil. Segundo a Declaração Anual de Informações Sociais (Rais), do Ministério do Trabalho e Emprego, em 2007 o país contava com 128 palhaços trabalhando com carteira assinada. Desse total, 57% atuavam em São Paulo e 12,5% na Bahia. O terceiro maior contratante foi o estado de Minas Gerais, que respondeu por 7% dos registros formais da Rais. Número expressivo, se considerarmos que a maioria dos palhaços trabalha informalmente ou em circos familiares.
