A balança comercial brasileira registrou, nos 20 dias úteis de novembro de 2008, valor recorde de exportação para meses de novembro, tendo somado US$ 14,753 bilhões (média diária de US$ 737,7 milhões).
Pelo critério da média diária, o valor das exportações no mês ficou 5% maior que o registrado no mesmo período do ano passado (US$ 702,6 milhões), mas caiu 12,3% em relação a outubro último, quando a média diária das exportações chegou a US$ 841,5 milhões. As exportações nos meses de novembro de 2007 (20 dias úteis) e de outubro de 2008 (22 dias úteis) totalizaram US$ 14,051 bilhões e US$ 18,512 bilhões, respectivamente.
Para o secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Welber Barral, a queda das exportações de novembro em relação a outubro último foi influenciada pelo fechamento do Porto de Itajaí (SC), em conseqüência das chuvas na região; pela queda nos preços do petróleo e pela redução da demanda externa, sobretudo de minério de ferro. Ainda assim, ele classifica os números de novembro como positivos por serem superiores aos alcançados no mesmo período do ano passado e porque, “apesar da crise financeira mundial e do fechamento do principal porto de Santa Catarina – responsável por 4% das exportações brasileiras-, nunca se exportou tanto no Brasil, em um mês de novembro”, destaca.
As importações, em novembro último, chegaram a US$ 13,140 bilhões (média diária de US$ 657 milhões), apresentando crescimento de 9,2% em relação à média diária de novembro de 2007 (US$ 601,6 milhões) e recuo de 16,5% na comparação com a média diária registrada no mês de outubro de 2008 (US$ 786,6 milhões). Os desembarques internacionais somaram US$ 12,031 bilhões em novembro do ano passado e US$ 17,305 bilhões em outubro de 2008.
Em conseqüência, o saldo comercial (diferença entre as exportações e as importações) do mês foi superavitário em US$ 1,613 bilhão (média diária de US$ 80,7 milhões), enquanto a corrente de comércio (soma das exportações com as importações) chegou a US$ 27,893 bilhões.
Número positivo
O recorde registrado no mês (em relação a novembro de 2007) é conseqüência do aumento das exportações de produtos básicos (US$ 5,175 bilhões), aumento de 21,1% em relação a novembro de 2007; e semimanufaturados (US$ 2,048 bilhões), crescimento de 5,7% sob o mesmo período comparativo. Os produtos manufaturados somaram US$ 7,211 bilhões, com retração de 4,2% em relação ao mesmo mês do ano passado. Entre os básicos, os maiores aumentos ocorreram nas vendas de farelo de soja (+103,5%), minério de ferro (+59,9%), petróleo em bruto (+48,8%), fumo em folhas (+34,3%), café em grão (+25,9%) e soja em grão (+7,2%).
Quanto aos semimanufaturados, os maiores crescimentos ocorreram nas vendas de ferro fundido (+61,4%), semimanufaturados de ferro/aço (+57,1%), açúcar em bruto (+42,3%), celulose (+24,1%) e ouro em forma semimanufaturada (+16,9%). No grupo dos manufaturados, os principais itens que apresentaram retração foram: óleos combustíveis (-71,6%), aviões (-41,1%), motores para veículos (-33,8%), automóveis de passageiros (-18,1%) e autopeças (-13,0%). Por outro lado, houve aumento de receita nas exportações de: plataforma para exploração de petróleo (de zero para US$ 623 milhões), etanol (+168,5%), óxidos e hidróxidos de alumínio (+49,5%), tubos de ferro/aço (+49,5%) e açúcar refinado (+24,5%).
Além do aumento das quantidades embarcadas, importantes produtos da pauta de exportação apresentaram elevação de preços, na comparação novembro 2008-2007, com destaque para os seguintes produtos: minério de ferro (+99,4%), semimanufaturados de ferro/aço (+63,1%), laminados planos (+38,9%), fumo em folhas (+30,7%), carne bovina (+28,3%), carne suína (+28,2%), soja em grão (+25,4), etanol (+21,4%), açúcar refinado (+21,3%), farelo de soja (+14,3%), açúcar em bruto (+14,2%), carne de frango (+13,2%), óleo de soja em bruto (+10,3%) e celulose (+9,4%).
Menos importação
Na comparação com outubro deste ano, a queda das importações foi considerada expressiva pelo secretário de Comércio Exterior. Segundo ele, havia a expectativa de aumento de 6% nas compras externas, em conseqüência, sobretudo, da compra de bens de consumo para o Natal, mas a queda de 16,5% surpreendeu. Petróleo e combustíveis caíram 36%; matérias-primas e intermediários, 39%; bens de capital, 17%; e bens de consumo, 8%.
Na comparação com novembro de 2007, houve aumento nas importações de matérias-primas e intermediários (+20,1%), bens de consumo (+19,6%) e bens de capital (+10,0%), enquanto combustíveis e lubrificantes registraram retração de 26,2% , devido a elevação dos preços internacionais e das quantidades embarcadas. No segmento de matérias-primas e intermediários, elevaram-se as aquisições de produtos minerais, produtos químicos e farmacêuticos, matérias-primas para agricultura, produtos agropecuários não alimentícios, produtos alimentícios primários e acessórios de equipamentos de transporte.
Com relação a bens de capital, os maiores itens importados, nesse período, foram maquinaria industrial, máquinas e aparelhos para escritório e científico, e partes e peças para bens de capital. No segmento bens de consumo, os principais crescimentos foram observados nas importações de máquinas e aparelhos para uso doméstico, produtos de toucador, automóveis de passageiros, com aumento de 25,9%, produtos farmacêuticos, móveis, objetos de adorno, bebidas e vestuário e confecções.
Ano
De janeiro a novembro de 2008 (231 dias úteis), o saldo comercial brasileiro somou US$ 22,433 bilhões (média diária de US$ 97,1 milhões). Pela média diária, o superávit comercial ficou 38,6% menor que o registrado no mesmo período do ano passado (US$ 158,2 milhões).
Foram registradas, nos 11 meses de 2008, exportações de US$ 184,125 bilhões, com média diária de US$ 797,1 milhões, um incremento de 25,2% sobre o desempenho médio diário dos embarques internacionais, no mesmo período de 2007 (US$ 636,6 milhões).
Na mesma comparação de períodos, observou-se crescimento de 46,3% nas importações brasileiras que saíram de uma média diária de US$ 478,4 milhões, de janeiro a novembro de 2007, para US$ 700 milhões no mesmo período de 2008. As importações no ano somaram US$ 161,692 bilhões.
