Se desde o início do ano até outubro os embarques de calçados já caíram 6,1% em volume físico, o que representa uma perda de quase dez milhões de pares, a tendência é de que a retração dos importadores seja ainda mais forte.
A crise financeira que assola o mundo e que é responsável pela recessão em algumas das mais fortes economias do planeta já está refletindo de maneira muito forte no setor calçadista brasileiro. Conforme Ricardo Wirth, vice-presidente da Abicalçados, as exportações deverão sofrer uma queda severa, que poderá ser mensurada em meados de fevereiro e março. “Está havendo uma paralisação total nos negócios. Com a falta de pedidos, os embarques do início de 2009 devem diminuir muito”, aponta.
Isso sem contar as inúmeras solicitações por parte dos importadores para a redução dos preços dos negócios firmados anteriormente, utilizando como argumento a alta do dólar. “É claro que nem todas as negociações serão afetadas, visto que já estão em processo adiantado, mas este é mais um entrave”, explica o dirigente. Ele complementa que a moeda norte-americana, mesmo em patamar mais alto, continua sendo desfavorável na formação de preços dos calçados exportados. “A instabilidade é muito grande, fato que está dificultando os cálculos das próximas tabelas”, assinala Wirth.
A previsão pessimista é reforçada pela combinação de dois fatores. O primeiro são as dificuldades que vêm sendo enfrentadas ao longo deste ano pela instabilidade do dólar (moeda oficial para as negociações brasileiras) e o segundo é a estabelecida tensão no mercado internacional.
Aliada aos pontos negativos, a política econômica vigente agrava ainda mais a situação dos fabricantes brasileiros. O governo federal mostrou inflexibilidade quanto à ampliação do programa Revitaliza para atender demandas de capital de giro, que foi o pleito da indústria em reunião com o secretário da Fazenda, Nelson Machado, na primeira quinzena de novembro.
Outro assunto que foi abordado com autoridades federais em Brasília é a aceleração no ressarcimento de créditos do PIS/Cofins e a utilização destes créditos para o pagamento da contribuição ao INSS. A secretária da Receita Federal, Lina Vieira, está fazendo um levantamento dos créditos acumulados e depois decidirá pela criação de uma força-tarefa e quais setores serão priorizados.
Outro dado que faz disparar o alarme dos calçadistas nacionais diz respeito ao emprego. Com a estagnação das negociações externas e o crescimento assustador das importações – na sua maioria, provenientes da Ásia – o nível de emprego está ameaçado. O setor, que é responsável por 300 mil empregos diretos, um dos mais importantes por utilizar mão-de-obra intensiva, apresentou perdas sucessivas em 2008. Conforme dados divulgados pelo IBGE, até setembro deste ano, foi registrada queda de 9,08% no volume de pessoal ocupado no acumulado de 12 meses. A diminuição dos postos de trabalho está diretamente associada ao crescimento das importações, mas tende a se agravar ainda mais com a freada nos negócios internacionais.
Fonte:Abicalçados
