Crise coloca exportações em compasso de espera, mas pode aquecer produção interna
A crise tem suas vantagens e desvantagens para o setor coureiro-calçadista brasileiro. Mesmo com aumento de alguns produtos importados e insubstituíveis, acredita-se ainda que o mercado de componentes continue atendendo o setor calçadista com custos de mercado”. A avaliação é do presidente da Associação Brasileira de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos (ASSINTECAL), Luis Cláudio Amaral.
A entidade teme, entretanto, que com o aumento do Dólar, estes custos sejam repassados para toda a cadeia. Amaral explica que há anos vem acontecendo aumento substancial nas importações de insumos para o setor, o que vem provocando um déficit na balança comercial deste tipo de produto. Este déficit está hoje em quase US$600 milhões.
A alta do Dólar deve mudar este quadro, já que muitas empresas irão recorrer aos insumos nacionais. Amaral destaca que este movimento já estava ocorrendo devido a grande demanda que estava inflacionando estes produtos no mercado internacional.
O dirigente avalia, ainda, que a crise pode ser uma oportunidade de destaque para o Brasil no cenário mundial. “Tenho uma sensação bastante otimista. Esse momento pelo qual passa a indústria já ocorreu em diversas oportunidades e o setor soube lidar com isso em situações mais adversas. O mercado globalizado sempre aparece com uma surpresa por dia e, geralmente, ela é negativa. Não se trata de nenhum mar de rosas, mas creio que a nossa indústria está muito bem preparada e pode sair fortalecida desse processo”, analisa Amaral.
A Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (ABICALÇADOS) manifestou-se através da sua assessoria de imprensa julgando ser muito cedo para uma análise mais detalhada desse processo de aumento de preços dos insumos importados até porque muitas empresas costumam fazer um processo de travagem de câmbio com antecedência. Para a entidade, os reflexos das oscilações cambiais só poderão ser sentidos no próximo período, quando se fixarem novas taxas de câmbio.
Duas questões, entretanto, permanecem em aberto. No caso das exportações a desaceleração da demanda mundial está causando um sentimento de paralisação de negócios, pela incerteza nas expectativas; e a redução da liquidez no mercado mundial com reflexos na disponibilidade de recursos, principalmente para financiamento das exportações, é apontada até o momento como a principal conseqüência. Esta mudança também deverá ocasionar uma desaceleração da demanda, já que muitas empresas financiavam diretamente a compra dos clientes.
