Depois de uma breve folga ontem, as bolsas pelo mundo voltam a ter queda acentuada. No Brasil, não há folga.
“Esta é uma crise cíclica do capitalismo. É uma crise de longo prazo, que pode se estender por até 5 anos. E trata-se de uma crise de super-produção, e não apenas financeira”, analisa o professor doutor da PUCSP, Jason Tadeu Borba. A crise de liquidez é um reflexo da crise de super-produção, portanto nenhuma medida financista irá resolver a crise. No máximo, retardar seus efeitos.
“A situação está gravíssima”, reforça Ricardo Borges, analista da Bolsa de Valores, destacando que não existe ilusão nem em relação a blindagem da economia nacional, nem quanto a capacidade do mercado interno manter a economia nos mesmo ritmo de expansão. “Metade das exportações brasileiras – o equivalente a US$ 100 bilhões – é financiada por bancos do exterior”, argumenta. A falta de liquidez no mercado internacional irá restringir estes créditos. “A fuga de capitais dos países emergentes amplia a pressão”, destaca Borges.
Hoje as bolsas de valores pelo mundo voltaram a derreter. No início da tarde todos os índices estavam muito baixos. Há forte tendência de antes do fim do pregão várias bolsas acionarem o “circuit breaker”, quando suspendem as operações caso a queda chegue a determinado patamar. Nos Estados Unidos este “stop” se dá aos 6 ,5 pontos negativos. No Brasil é em menos 10%. As 13h20 a Bovespa já passava dos 7% negativos e o Dow Jones a quase –5%. Os analistas recomendam os “hedges” (contratos de proteção ao risco) para os investidores que ainda estão posicionados. Também recomendam cuidado com as empresas com dívidas na moeda norte-americana, como as empresas de telefonia. A Embratel, por exemplo, perdeu 20% de seus lucros.
Por outro lado, o setor bancário brasileiro vem sobrevivendo bem à crise. Principalmente pelos benefícios que vem recebendo do governo nos últimos anos. Seus lucros foram tão grandes que eles estão bem lastreados. A redução do depósito compulsório para os depósitos em conta corrente também está dando caixa ao sistema. Além disso, no Brasil não existe transferências de créditos, em particular de créditos podres, como os sub prime nos EUA.
Os analistas também chamam a atenção para a prática do Banco Central em competir com a especulação internacional fazendo ofertas de venda de Dólar abaixo do mercado. Somente na quinta-feira, foram leiloados US$4,5 bilhões. É importante lembrar que as reservas cambiais brasileiras caíram de US$207 bilhões na segunda-feira, 20, para US$196 bilhões hoje. Até quando o Brasil terá reservas para sustentar esta política ninguém sabe.
