Organização Internacional do Trabalho divulga estudo sobre a desigualdade mundial, e lembra que a restrição do crédito e a crise do mercado de valores começam a comprometer empresas, empregos e ganhos dos trabahadores
A crise financeira desencadeada em agosto “representa uma das maiores ameaças para a economia mundial na história moderna”. É o que aponta um Estudo da Organização Internacional do Trabalho (OIT), divulgado nesta quinta-feira, dia 16.
O “Relatório sobre o Trabalho no Mundo 2008: Desigualdade de Renda na era das Finanças Globais” como foi intitulado o estudo, mostra que a restrição do crédito e a crise do mercado de valores começam a comprometer os investimentos das empresas, os ganhos dos trabalhadores e o emprego.
Elementos como o salário e o crescimento em mais de 70 países desenvolvidos ou em fase de desenvolvimento foram examinados e indicou medidas de longo prazo para diminuir as desigualdades.
De 1990 a 2007 o emprego no mundo cresceu em30% Segundo o levantamento do Centro de Pesquisas da OIT, porém isso não reduziu a desigualdade. “Dos 73 países para os quais existem dados disponíveis, a participação dos salários como parte do total da renda diminuiu em 51 deles nas duas últimas décadas”, como mostra o estudo. Sendo que a maior queda, de 13 pontos percentuais, ocorreu na América Latina e no Caribe. Em seguida estão a Ásia e o Pacífico (-10 pontos percentuais).
De acordo com o estudo, comparados com períodos anteriores de expansão, os trabalhadores tiveram uma cota menor dos frutos do aumento econômico. “Uma vez que a participação dos salários na renda nacional diminuiu na grande maioria dos países para os quais se dispõe de dados”. A organização alerta que a desaceleração da economia mundial pode afetar “de maneira desproporcional os grupos de baixa renda”.
Ainda de acordo com a OIT, os países analisados estão “preocupados” com a exagerada diferença e mantêm organismos “fortes de proteção social”. E essa é a melhor forma, segundo a OIT, de “progredirem não somente em termos de emprego, mas também na restrição da tendência ao avanço das desigualdades econômicas”.
Fonte: Agência Brasil
