Após vencer uma batalha contra a doença de Maria Eduarda, a mamãe Cátia teve Maria Clara, porque para ela, um dos melhores presentes para um filho é ter um irmão
Cristiane Cunda – cris@novohamburgo.org
A luta para vencer uma doença grave, o medo da perda e a insegurança são narrados com propriedade por Cátia, 32 anos, de Novo Hamburgo. Em contraponto, também destaca a imensa alegria da vitória, a felicidade em dividir a vida com duas meninas felizes e saudáveis.
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A primeira gestação ocorreu aos 27 anos, de forma agitada. “Tive depressão, mas só tive consciência disso após o parto. Desde que a Maria Eduarda (5 anos) nasceu, eu tinha uma sensação estranha de perda, mas nem podia imaginar que ela tivesse algum problema de saúde, já que não apresentava sintoma algum, era um bebê saudável”, lembra.
Aos cinco meses de vida, em uma consulta o médico suspeitou de uma elevação no abdômen e após realizar diversos exames veio a constatação de um neuroblastoma, um tipo de câncer infantil. “Foi aí que nossa luta começou. Com seis meses a Duda fez uma cirurgia de alto risco para tirar o tumor. Tudo ocorreu bem, mas ela ficou quatro dias na UTI. Cerca de 10 dias depois veio o resultado da patologia que indicava um tumor muito agressivo e a Duda voltou a se internar para novos exames e colocar o cateter para iniciar a quimioterapia. Ela não tinha células malignas na medula, mas tinha na perna e testa do lado lado esquerdo”, conta.
O tratamento da menina durou oito ciclos e de acordo com a mãe, ocorreu tudo bem, com intercorrências normais para alguém em tratamento quimioterápico. “Mesmo indo tudo bem, tinha muito medo de perdê-la, dela não agüentar a quimioterapia e de sua doença não ter cura. Foi um período muito difícil, minha vida era anormal. Eu tinha que me dividir em trabalhar e ficar com minha filha no hospital. Passei muitas noites sem dormir e chorei muito. Fazia o possível para dar conta de tudo e não cheguei a faltar o trabalho”, relembra Cátia, que é técnica em enfermagem.
Mesmo com algumas inseguranças, a chegada da segunda filha, Maria Clara (2 anos), foi planejada e ela foi aguardada com muito amor. “Consultei um oncologista pediatra que me falou que eu teria 80% de chance a mais de ter mais uma filha com câncer, mas graças a Deus ela não teve a doença. O melhor presente que se pode dar para um filho é irmão. Também optei em ter mais um pensando que se fosse necessário, poderia ajudar a outra com transplante de medula”, diz.
Após muitos momentos de tristeza e medo, achando que qualquer dorzinha podia ser a doença voltando, Cátia só quer curtir a vida ao lado das meninas. “Estou mais otimista. Só quero ser feliz com minha família e nunca mais ter que passar por isso. Minhas filhas são minha vida, o maior tesouro que Deus poderia me dar é ver o sorriso delas todos os dias. Sempre agradeço a Deus, ao apoio da família e ao pediatra das minhas filhas, dr. Luis Edmundo Moller, pela dedicação e sabedoria para cuidar bem das minhas meninas”, conclui.


