O presidente garante que o comentário era apenas uma constatação, mas especialista garante que falta transparência ao consumidor sobre o preço da gasolina
“Não é um sinal e sim uma constatação lógica”, disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, neste sábado, dia 26, ao justificar que não teria sinalizado um reajuste dos combustíveis ao lembrar que “desde 2005 não há aumento de preço dos combustíveis, apesar do aumento do petróleo”. Lula ainda acrescentou: “Na hora em que a Petrobras entender que deva [reajustar], certamente vai procurar o governo e conversar. E vamos ver o que é possível fazer”.
Após participar da abertura da Campanha nacional de Vacinação do Idoso, em São Bernardo do Campo, São Paulo, neste sábado, Lula em entrevista também defendeu a importância do movimento sindical da região do ABC paulista, que “tem muito a ver com o que aconteceu no país nos últimos 30 anos”. O presidente descartou a possibilidade de participar de manifestações no Dia do Trabalho (1º de maio) na região. “Tenho convite para ir a outras e não posso ir a todas, então sou obrigado a não participar de nenhuma”, afirmou.
Falta de transparência no preço da gasolina
Para o diretor do Centro de Estudos do Petróleo, professor Saul Suslik, um dos problemas para o aumento no preço dos derivados de petróleo é a falta de transparência em relação à composição do valor pago nas bombas dos postos de combustível.
“Não há uma transparência nessa questão dos preços, se o consumidor sabe que ele paga R$ 2,60 e que metade desses valores corresponde a tributos. E que 25% a 30% é o preço efetivo de realização da Petrobras, depois tem o custo relativo à adição do álcool anidro e o percentual ligado à distribuição de renda. Aí eu acho que para o consumidor fica mais fácil, inclusive, aceitar o aumento no preço da gasolina”, salientou.
Segundo o professor do Instituto de Geociências da Universidade de Campinas (Unicamp), caso o preço do barril do petróleo continue subindo no mercado internacional, será necessário um reajuste nos valores cobrados pelos derivados, como a gasolina e o diesel, que têm-se mantido estáveis.
Suslik destacou que um reajuste que colocasse os preços “em sintonia com o mercado internacional” poderia contribuir para um menor desperdício da energia e ocorreria “no sentido de manter um equilíbrio e um incentivo para a própria geração de energia”.
O professor lembrou que há uma diferença de cerca de 17% no preço da gasolina no Brasil, em comparação com outros países. E argumentou: “Além dessa diferença existe a concorrência da gasolina com outro tipo energético, no caso o álcool, e isso adiciona também uma outra complexidade, além dos aspectos políticos e econômicos.”
Fonte: Agência Brasil
