Segundo ministro da educação, Brasil pode ter escola pública tão boa quanto a particular, no entanto terá que investir pelo menos por uma geração para colher resultados. O ministro afirmou que RS é exemplo de investimento em qualidade de ensino
O ministro da educação, Fernando Haddad, citou nesta quarta-feira, o Estado do Rio Grande do Sul como exemplo de que é possível criar no Brasil um novo paradigma em que a escola pública tenha tanta ou mais qualidade do que a particular. A afirmação foi feita durante o programa de rádio “Bom Dia Ministro”.
“Felizmente no Rio Grande do Sul temos a menor distância entre (o desempenho de alunos) de escola pública e particular. É um estado que tem tradição de investimento na escola pública, demonstrando que podemos derrubar este paradigma e criar um novo em que a escola pública tenha tanta ou mais qualidade que a particular”, disse Haddad.
O ministro também citou uma pesquisa divulgada no fim do ano passado que, segundo ele, demonstra que a elite da escola pública tem desempenho melhor do que o da média da rede particular no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).
No entanto Haddad afirmou que o Brasil vai ter que se aplicar pelo menos durante uma geração investindo mais e melhor na educação para colher os resultados. “Infelizmente em educação não se colhem os frutos em meses, se colhem os frutos em anos”.
Durante o programa de rádio o ministro falou das metas do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE). Ele apontou a figura do professor como central na reforma educacional. “Se não resgatarmos a autoridade, o prestígio, a valorização do professor, todas as ações voltadas para a melhoria da infra-estrutura e condições de trabalho não serão suficientes para enfrentar o problema da qualidade”, disse.
O ministro citou como medidas de valorização da carreira de professor a necessidade de aprovação do piso nacional de R$ 950 para docentes sem curso superior e da Lei de Diretrizes de Carreiras, além da criação do Sistema Nacional de Formação, na qual a União assume a responsabilidade pela formação dos professores de educação básica da rede pública.
Ensino médio precisa de medidas urgentes
Haddad voltou a citar a necessidade de medidas urgentes para melhorar a qualidade do ensino médio brasileiro. ¨O ensino médio está em uma situação muito delicada exigindo providências urgentes sobretudo dos estados, com apoio do Ministério da Educação¨, disse.
O ministro também afirmou que o ensino médio tem que ter abertura para formação profissional. Sobre a proliferação dos cursos superiores no país, o ministro disse que o MEC defende a expansão de universidades públicas e particulares com qualidade. ¨A meta do PDE é matricular 30% dos jovens entre 18 e 24 anos nas universidades. Nós estamos chegando agora a 20% e temos quatro anos para alcançar a meta¨, explicou.
Haddad disse que a partir deste ano o MEC está cuidado da qualidade dos cursos. ¨Estamos fechando vagas em cursos que não tenham qualidade comprovada pelos indicadores do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior, o Sinaes. Começamos com direito, vamos seguir com medicina e pedagogia e vamos cobrir as mais de 50 áreas de conhecimento¨.
