Uma pesquisa sobre feminicídio levou aos estudantes um tema que costuma ocupar as estatísticas, os noticiários e o debate entre adultos: a prevenção à violência contra a mulher. Alunos do 9º ano de Dois Irmãos. Alunos do 9º ano da Escola Municipal Professor Paulo Arandt desenvolveram uma pesquisa sobre feminicídio e prevenção à violência contra a mulher, levando a discussão para além da sala de aula.
O trabalho “O medo que acompanha ser mulher” foi apresentado na Prefeitura de Dois Irmãos na última sexta-feira (14), como parte das ações relacionadas ao Agosto Lilás, campanha de conscientização e enfrentamento à violência contra a mulher.
A pesquisa é desenvolvida desde março e parte de uma pergunta direta: o que pode ser feito para evitar que mais feminicídios aconteçam?
Para buscar respostas, os estudantes conversaram com especialistas e analisaram artigos, dados de instituições como o Fórum Brasileiro de Segurança Pública e legislações de proteção às mulheres, entre elas a Lei Maria da Penha e a Lei do Feminicídio.
O percurso adotado pelo grupo combina leitura, análise crítica e diálogo com profissionais. Ao comparar diferentes fontes, os alunos exercitam a interpretação de informações e procuram compreender como fatores sociais, culturais e comportamentais se relacionam com a violência de gênero.
Pesquisa sobre feminicídio analisa dados
Durante a apresentação, os alunos mostraram dados reunidos ao longo da pesquisa. Conforme o levantamento apresentado pelo grupo, o Rio Grande do Sul registrou 80 feminicídios consumados em 2025 e somava 41 casos até 26 de julho de 2026.
No cenário nacional, foram 1.571 vítimas em 2025, enquanto o primeiro semestre de 2026 contabilizou 741 casos, segundo os dados utilizados no projeto.
Além das estatísticas, o trabalho aborda características recorrentes dos agressores, sinais de alerta e orientações sobre como procurar ajuda. Os estudantes também destacam a importância da escola na desconstrução de estereótipos de gênero e na criação de ambientes de escuta e acolhimento.
A abordagem no ambiente escolar amplia o debate para além da apresentação de números. O trabalho permite discutir respeito, responsabilidade coletiva e formas de identificar situações que não devem ser normalizadas, sempre com linguagem adequada à faixa etária dos participantes.
Pesquisa segue para mostra municipal
O projeto foi desenvolvido pelos estudantes Mariane Peixoto da Silva, Júlia Feiten, Arthur Martins de Borba e Arielly Ferrari de Oliveira, com orientação das professoras Tania Maria Tavella e Natália Costa da Cruz e acompanhamento da monitora Andrieli Soares da Silva.
Classificado durante a Feira de Ciências da escola, realizada em 10 de junho, o trabalho terá agora uma nova etapa. No dia 27 de agosto, será apresentado na Mostra de Projetos das Escolas de Dois Irmãos (MOPEDI), na Praça do Imigrante.
A participação na mostra municipal dará visibilidade à pesquisa sobre feminicídio e possibilitará que estudantes de outras escolas, educadores e famílias conheçam as conclusões construídas pelo grupo. A nova apresentação também amplia o alcance da mensagem de prevenção trabalhada ao longo do projeto.
Educação também faz parte da prevenção
A apresentação na Prefeitura foi acompanhada pelo vice-prefeito Juarez Stein, pela secretária de Educação, Denise Maria Maldaner, pelo secretário de Desenvolvimento Social e Habitação, Ederson Arantes Bueno, e pela coordenadora da Coordenadoria da Mulher, Kelly Berlitz.
Na ocasião, Denise ressaltou a necessidade de trabalhar o respeito nos diferentes espaços de convivência e lembrou que comportamentos como bullying, agressões verbais e outras formas de violência não devem ser naturalizados.
O vice-prefeito Juarez Stein também destacou a dimensão cultural do problema e a necessidade de reflexão e mudança de comportamento ao longo das gerações.
Agosto Lilás
A apresentação integra as atividades do Agosto Lilás, período dedicado à conscientização sobre a violência contra a mulher e à divulgação de mecanismos de prevenção e proteção previstos, entre outras normas, pela Lei Maria da Penha.
Ao colocar o feminicídio no centro de uma pesquisa escolar, os estudantes levam para o ambiente educacional uma discussão que ultrapassa números e estatísticas: como reconhecer a violência, preveni-la e contribuir para mudar comportamentos antes que ela chegue ao seu desfecho mais grave.
