Entidade defende maior controle sobre plataformas de apostas esportivas e campanhas de conscientização para reduzir os prejuízos às famílias e ao setor produtivo
A Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Novo Hamburgo, Campo Bom, Estância Velha, Dois Irmãos e Ivoti (ACI) encaminhou uma carta ao vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, solicitando ações do governo federal para reduzir os impactos causados pela expansão das apostas esportivas no Brasil.
No documento, enviado nesta segunda-feira (3), a entidade demonstra preocupação com o aumento dos recursos destinados às plataformas de apostas, o que, segundo a ACI, tem reduzido o consumo em áreas como comércio, serviços, indústria, lazer, educação e investimentos das famílias.
Apostas esportivas preocupam setor produtivo
A carta destaca que empresários têm enfrentado novos desafios diante do cenário econômico e afirmam perceber reflexos diretos das apostas no comportamento financeiro da população. Entre os efeitos apontados estão a diminuição do poder de compra dos consumidores, o aumento do endividamento e a redução da demanda por produtos e serviços.
A ACI cita um levantamento do Procon-SP que aponta que 39,7% dos apostadores brasileiros já contraíram dívidas em razão das apostas eletrônicas. Além disso, 52,4% afirmaram ter comprometido parte importante da renda e recorrido a empréstimos ou aplicações financeiras para continuar apostando.
O estudo também mostra que 56,6% dos entrevistados disseram ter sido influenciados por campanhas publicitárias e pela participação de celebridades na divulgação das plataformas.
Apostas esportivas também afetam empresas e trabalhadores
Segundo a entidade, empresas já observam aumento nos pedidos de adiantamento salarial, crescimento do endividamento entre trabalhadores e queda no consumo. A ACI também menciona estimativas da Confederação Nacional do Comércio (CNC), que indicam que cerca de R$ 143 bilhões deixaram de circular no varejo brasileiro entre 2023 e março de 2026 em razão das apostas, contribuindo para o avanço da inadimplência.
Além dos impactos econômicos, a associação chama atenção para os efeitos na saúde mental. Dados citados no documento apontam que parte da população brasileira apresenta risco de desenvolver dependência em jogos, situação que pode estar relacionada ao aumento de casos de ansiedade, depressão, estresse, isolamento social, conflitos familiares e perda de produtividade.
Embora reconheça que a atividade é legal quando segue a legislação vigente, a ACI avalia que o crescimento do setor exige uma atuação mais firme do poder público para proteger consumidores e preservar a economia.
Entre as medidas sugeridas ao governo federal estão o fortalecimento da fiscalização das plataformas, regras mais rígidas para publicidade voltada ao público vulnerável, campanhas permanentes de conscientização sobre os riscos das apostas, aprimoramento dos mecanismos de identificação de apostadores vulneráveis e incentivo a estudos periódicos sobre os impactos econômicos e sociais do setor.
Para o presidente da ACI, Robinson Klein, a rápida expansão desse mercado exige respostas igualmente ágeis por parte do poder público. Segundo ele, é necessário construir políticas que reduzam os prejuízos econômicos e sociais relacionados à dependência em jogos.
O diretor da entidade, Fauston Saraiva, afirma que a ACI está à disposição para colaborar com o governo em debates, grupos de trabalho e outras iniciativas que busquem soluções voltadas à proteção das famílias, ao fortalecimento do setor produtivo e ao desenvolvimento econômico sustentável.
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