Lideranças do Vale do Sinos e do Vale do Paranhana vão solicitar reunião com o governador para apresentar proposta que considera mais viável para a concessão de rodovias
Representantes de municípios, entidades empresariais e instituições de ensino do Vale do Sinos e do Vale do Paranhana pretendem apresentar ao governador Eduardo Leite uma proposta alternativa para o projeto de concessão de rodovias do Bloco 1. A intenção é solicitar uma audiência nos próximos dias para defender um modelo considerado mais econômico e com menor impacto para a população e para a economia regional.
O assunto foi debatido na terça-feira (30), durante um encontro realizado na Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Novo Hamburgo, Campo Bom, Estância Velha e Dois Irmãos (ACI), em Novo Hamburgo. A reunião contou com a participação de prefeitos e representantes de diferentes municípios da região.
Mesmo com mudanças recentes no projeto estadual, as lideranças presentes entendem que a proposta ainda apresenta custos elevados e pode trazer reflexos negativos para moradores, empresas e usuários das rodovias.
Segundo o presidente da ACI, Robinson Klein, o encontro teve como objetivo reunir as lideranças regionais para analisar os impactos econômicos e logísticos do projeto e construir uma posição conjunta em defesa dos interesses da região.
Entidades apontam pontos que consideram preocupantes
Durante a reunião, o diretor da ACI, Fauston Saraiva, apresentou uma análise sobre o modelo de concessão. Entre os principais pontos levantados estão a concentração dos investimentos nos primeiros anos do contrato, o período de concessão de 30 anos, os custos operacionais considerados elevados e despesas administrativas que, segundo ele, ainda não possuem detalhamento suficiente.
Também foram destacados aspectos como a necessidade de fiscalização constante do contrato, a possibilidade de aumento das tarifas ao longo do tempo, diferenças entre os interesses da concessionária e da população, além da ausência de indicadores mais claros sobre os benefícios que serão entregues durante a concessão.
De acordo com Saraiva, mesmo após a redução anunciada pelo governo, o valor previsto para o quilômetro rodado permanece em R$ 0,19, enquanto os custos de operação ao longo dos 30 anos chegam a R$ 2,95 bilhões. Para ele, grande parte desse valor será destinada à manutenção da operação, e não diretamente às melhorias na infraestrutura das rodovias.
Outro ponto citado foi a previsão de despesas indiretas elevadas, incluindo R$ 311 milhões que, segundo a entidade, ainda não possuem detalhamento suficiente. Conforme Saraiva, caso ocorram desequilíbrios financeiros durante a execução do contrato, existe a possibilidade de que esses custos sejam repassados aos usuários por meio de reajustes nas tarifas.
Estudo da Feevale aponta aumento nos gastos de estudantes
Durante o encontro, o reitor da Universidade Feevale, José Paulo da Rosa, apresentou um levantamento sobre os possíveis impactos da concessão para os estudantes da instituição.
O estudo mostra que aproximadamente 1.950 alunos que vivem entre Campo Bom e Canela utilizam semanalmente as rodovias RS-239 e RS-115 para se deslocar até Novo Hamburgo.
Segundo os dados apresentados, a implantação de cinco pórticos de pedágio no sistema free flow na RS-239 poderá aumentar significativamente os custos de deslocamento. Em um dos exemplos apresentados, um estudante de Três Coroas que atualmente gasta R$ 6,50 em uma viagem de ida e volta passaria a desembolsar R$ 33,36, representando um aumento de 413%.
Prefeitos também demonstram preocupação com o trânsito nas cidades
O prefeito de Igrejinha, Leandro Hörlle, alertou para os possíveis reflexos da instalação de um pedágio na RS-115 entre Igrejinha e Três Coroas. Segundo ele, a medida pode fazer com que motoristas busquem rotas alternativas dentro dos municípios, aumentando o fluxo de veículos nas áreas urbanas e elevando os riscos de acidentes.
Hörlle também afirmou que, caso novos pórticos de pedágio sejam implantados na RS-239, moradores e turistas da Região das Hortênsias poderão optar pelo deslocamento até Porto Alegre pela RS-020, que deve passar por duplicação. Na avaliação do prefeito, essa mudança poderá reduzir o movimento nas cidades atendidas pelas rodovias do Bloco 1 e provocar impactos na economia regional.
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