Confira a repercussão do pacote de medidas que pretende zerar o déficit do Estado
Logo após o término da entrevista coletiva em que a governadora eleita, Yeda Crusius (PSDB), explicou as medidas que serão adotadas a partir de janeiro de 2007 com a finalidade de zerar o déficit do Estado, ela já começou a receber as primeiras críticas. As críticas vieram, inclusive, do vice-governador eleito, Paulo Feijó (PFL).
Paulo criticou veementemente as propostas. A votação deverá ocorrer a partir das 10h de amanhã, e o vice-governador eleito já prometeu trabalhar contra a aprovação das medidas. “Acho que é um terrível engano tomar estas medidas, que vêm especialmente retirar o poder de compra dos trabalhadores e prejudicar o desenvolvimento das indústrias. É um extremo equívoco”.
Entre as federações e entidades, alguns elogiaram os cortes de gastos com o funcionalismo público, mas em uníssono reprovaram o aumento de impostos. Todos prometem pressionar deputados para que não seja aprovado o pacotaço de Yeda.
Confira trechos de textos e declarações divulgadas pelas principais entidades da região:
Fiergs
O presidente da Federação de Indústrias do RS, Paulo Tigre, reclama que a maioria das medidas propostas por Yeda são de aumento de arrecadação de impostos, e não de corte de gastos. Tigre deixa claro o pensamento da entidade sobre o projeto: “Esperamos que essas medidas não sejam aprovadas”.
Federasul
José Paulo Dornelles Cairoli, presidente da Federação das Associações Comercias e de Serviços do RS, é taxativo: “Aumentar impostos é a fórmula antiga de administrar, longe das promessas da campanha de um novo jeito de governar”. Em nota divulgada pela federação declara-se que o pacote inibe os investimentos privados e conseqüentemente o crescimento da economia.
Aicsul
O presidente da Associação de Indústrias e Curtumes do RS, Cézar Müller é contra qualquer tipo de aumento de carga tributária. “Vai continuar o velho jeito de governar, simplesmente aumentando impostos. O mais grave de tudo isso é que o consumidor final vai pagar a conta. As empresas vão apenas repassar”, avalia.
ACI
Em carta divulgada ontem, a presidente da Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Novo Hamburgo, Campo Bom e Estância Velha, Fátima Daudt ressalta: “Cabe-nos não apenas o dever da crítica e da desaprovação. E sim o imperativo manifesto do compromisso com o testemunho histórico, uma vez que tais medidas não levaram governos antecessores a sucesso algum”, e finaliza, “em nome do respeito ao povo gaúcho, honre suas promessas de campanha”.
CDL
Remi Carasai, o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de NH, analisa aspectos diferentes do projeto: “Penso que é válida a atitude da governadora eleita de primeiro efetuar cortes para depois mexer em impostos. Somos o Estado que paga o ICMS mais alto do país, nossa carga tributária já é muito grande e, portanto, o tarifaço só vai nos prejudicar enquanto comércio”.
Sindilojas
O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Novo Hamburgo, Ivar Ullrich, acredita que o governo perderá credibilidade por causa das medidas. “A governadora (eleita) foi muito infeliz. É o novo jeito de governar e a velha forma de agir. A única coisa clara e certa é o aumento dos impostos”.
Assintecal
“Sabemos que não são muitas as alternativas de quem quer que assuma o governo, mas os empresários não têm mais como suportar prorrogações de sobretaxas e aumentos de cargas tributárias”, observa Luís Amaral, presidente da Associação Brasileira de Empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos.
Consinos
O secretário-executivo do Conselho Regional de Desenvolvimento do Vale do Sinos, Márcio Kauer, disse que o anúncio do pacote de medidas da futura governadora deve gerar reflexos negativos para a região. “No vale do Sinos, o pacote de medidas irá atingir as exportações. Irá gerar desemprego e fechamento de indústrias”, afirma.
