Ao longo dos anos 90, muito se
discutiu sobre o chamado “fim da História”, proposto pelo emblemático
livro de Fukuyama que defende a tese de que o capitalismo e a democracia
burguesa constituem o coroamento da história da humanidade. (…) teríamos
atingido no final do século XX, o ponto culminante de evolução? O fim da História?
Parece que Tom Zé andou
imaginando coisas semelhantes com a história da música. Um (também emblemático)
texto impresso na capa do disco de Tom Zé chamado “Com defeito de fabricação”
diz que "podemos concluir que a era do compositor acabou e que está se
inaugurando a era do plagiocombinador".
Em uma entrevista à Carta
Maior, Hermeto Pascoal, entre diversas outras declarações lúcidas, tenta dar
um ponto final à esta teoria (que é ridícula):
"Em primeiro lugar, Tom Zé
não é músico. Ele tinha é de morrer logo. Agora, a culpa é da imprensa que
não tem repórteres especializados. Ele é um grande falante, mas não é músico.
Essa história é conversa de quem não cria. Existe renovação em tudo. Sempre
serão outras coisas. Não andamos a procura da criação. No fim, a criação
é que nos procura”.
Aqui para nós, eu fico com a
opinião do albino Pascoal. E a contar pelos cenários que estão surgindo na música
Indie (a nova febre de bandas independentes) que também começa a ganhar espaço
no Brasil, a história da música contemporânea tem muito ainda a percorrer.
Exemplo bem descompromissado
disso são os brasileiros do “Cansei de ser Sexy”, bandinha descolada de
Sampa, que vem ganhando destaque internacional, antes mesmo de lançar seu
primeiro disco, graças ao interesse de alguns repórteres da mídia paulistana
e ao poder da Internet. Seu sonzinho é um verdadeiro caleidoscópio dos
anos 70 e 80, vídeo game e pop-stars… Confira!
Fukuyama: http://www.culturabrasil.org/fukuyama.htm]
Tom Zé: http://www.tomze.com.br/ent2.htm
O albino Hermeto na Carta Maior: http://agenciacartamaior.uol.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=9748]
“Cansei de ser sexy” na Trama: http://www.trama.com.br/portalv2/artista/index.jsp?id=2656
PICK OF THE WEEK: “The long and winding road” – The Beatles
Fico às vezes imaginando onde
teriam ido parar os Beatles se a banda não tivesse se dissolvido. Esta canção,
é uma daquelas que me fazem justamente ficar pensando nisso.
Com uma harmonia linda, esta canção
mostra o amadurecimento da banda (em plenos 1970) e a capacidade efervescente de
Paul McCartney compor canções ao mesmo tempo simples e consistentes.
Interessante notar que ela é o
objeto de uma das justificativas que McCartney listou como causas de sua dewcisão
de dissolver os Beatles, porque ele ficou muito irritado com o arranjo para
orquestra e coro que Phil Spector fez sobre a canção, que era escrita para uma
base em piano.
Realmente uma pena, pois este
arranjo (presente nas coletâneas azul e vermelha dos besouros) deixou a canção
com um caráter grandioso, digno de cinema!.
http://en.wikipedia.org/wiki/The_Long_and_Winding_Road
Aliás, McCartney nem imaginava
quão “longas e tortuosa" seria esta estrada, por conta desta inesperada
novela alimentada pela imprensa inglesa a respeito de sua relação com Heather
Mills, que acusa o ex-fabfour de “agressões físicas”.
http://ego.globo.com/Entretenimento/Ego/Noticias/0,,AA1319451-5877,00.html
Afonso Henrique Oliveira Félix é mestre em engenharia química e apaixonado por música
afonso@novohamburgo.org
