Por Gabriela Schuch
Partiremos de um cenário anterior ao abordado nos dias de hoje: Novo Hamburgo, uma noite bem diversificada, o berço da diversão em finais de semana há algum tempo atrás. Não participei dessa época, ou melhor, presenciei o final dela: Adams lotado, sair de qualquer cidade do Vale do Sinos para ir a Novo Hamburgo era a melhor opção de diversão sempre.
Noto (ou melhor, notamos, até porque já recebi e-mails pedindo uma matéria sobre esse assunto), que hoje em dia não são as pessoas que vão para Novo Hamburgo para fazer festa e sim os hamburguenses que saem da cidade para badalar em outros lugares da região.
Por quê? O que está afastando às pessoas da noite de Novo Hamburgo?
Papo-Kbeça
Passei então a conversar com o pessoal de Novo Hamburgo: por que, apesar das opções, ocorre a fuga para lugares como São Leopoldo e Campo Bom? Um exemplo excelente para ilustrar o fato é o de Karina Juchum, 19 anos, estudante de Relações Públicas.

Karina mora em Novo Hamburgo, seus amigos são de Novo Hamburgo, mas mesmo assim o seu aniversário foi comemorado no fim de semana do dia 21/04 na Factory, em São Leopoldo.
Conversando com Karina, eu perguntei por que ela havia escolhido outra cidade ao invés da própria Novo Hamburgo. Ora, não fazia muito sentido levando em consideração que Novo Hamburgo de pequena e mal-estruturada não tem nada.
Ela, sempre muito simpática, me respondeu que falta opção na cidade. “Eles não investem em festa boa, as festas são de qualquer jeito”, diz.
Tive que discordar dizendo que bons shows são trazidos seguidamente pela Sociedade Ginástica, por exemplo, e ela me disse: “Sim, é verdade. Mas na Ginástica só vai o pessoal mais novo. Eu ia quando era mais nova. Parece que a nossa fase passou e não tem outro estabelecimento que compense essa falta”.
Diz aí…
No meio dessa comemoração, emendei um papo com Caroline Mattos, 20 anos, estudante de Publicidade e Propaganda, também moradora de Novo Hamburgo:

Gabriela – Carol, a Ká (Karina) decidiu fazer a festa dela em São Leopoldo, o que tu diz sobre as festas de Novo Hamburgo?
Caroline – É que aqui é ruim mesmo. Tipo, na real, só o iL Brasco normalmente. O boliche não abre sempre a pista, aí o povo não quer ficar jogando boliche o tempo todo, né? Não muita opção não. Existem muitos lugares que o nível anda baixo, isso sim, mas lugares bons quase não têm.
Gabriela – É que.. putz! O pessoal de São Leopoldo em grande maioria acha São Leopoldo um lixo pra sair, e o pessoal de Novo Hamburgo diz que prefere…
Caroline – Mas o povo de São Leopoldo não vem pra cá, né?
Gabriela – Tenho vários amigos de São Leopoldo que dizem que Novo Hamburgo é melhor.
Caroline – Bah, sei lá, tipo, o iL brasco é massa, mas tem lugar que pra mim, por exemplo, é alternativo demais.
Gabriela – Como?
Caroline – O Abbey Road… Bah, só rock antigo e pah. E eu não curto, por exemplo.
Gabriela – E, além de São Léo, o pessoal de Nóia costuma sair pra algum outro lugar?
Caroline – Na Moinho, em Campo Bom, ou pra Porto Alegre.
Gabriela – Tá, então, há uns tempos atrás, a noite de Novo Hamburgo era super “badalada”. Tu acha que foi a queda de “nível” do público que contribuiu pra que isso mudasse?
Caroline – Olha, pode até ser, porque existem lugares que o pessoal que vai tem um nível baixo, e isso não está relacionado com o poder aquisitivo, está com o comportamento, mas ainda assim tem gente que gosta. Às vezes tem Oxygen que é bom, mas é raro. Normalmente, só o iL Brasco mesmo.

Realmente é fato: a noite de Novo Hamburgo não é mais a mesma. Falta opção? Depende do ponto de vista sobre a real idéia de uma opção. Talvez falte um estilo, visto que boliche tem, lugar de rock antigo tem, lugar alternativo tem, choperia tem.
Uma casa de festa noturna, que abrisse sua pista e balançasse o pessoal até de manhã, e que isso acontecesse todo o final de semana, permitindo que o público se tornasse fiel e parasse de abandonar a cidade.
Falta de nível? Até que ponto esse dito nível pode ser considerado? Isso nos leva a pensar que não é culpa dos donos de estabelecimentos noturnos, mas sim da própria população que às vezes acaba por afastar outra parte da população.
Outro ponto citado pelas entrevistadas e por mais pessoas que a gente conversa: a tal “pirralhada”. Não podemos esquecer que nós já formamos essa parte do pessoal e como era divertido fazer as nossas festas noturnas mesmo nós sendo mais novos.
Existem lugares que só permitem a entrada de maiores, daí isso entra em conflito com a turma intermediária que não é “de maior”, mas também gosta de chamar os outros de pirralhada.
É essa a grande maioria que acaba fugindo pra outros lugares, onde possa fazer as suas festas com tranqüilidade, bastando uma autorização dos pais.
E você, o que pensa sobre a queda da noite de Novo Hamburgo? Aqui é o seu lugar! Opine sobre essa mudança.
Juntos, todos nós podemos, quem sabe, reorganizar e badalar novamente Novo Hamburgo do nosso jeito.
