Penso que, quando expomos quem realmente somos, aprendemos que, mesmo únicos, nunca estamos sozinhos. Sempre estamos dividindo momentos com alguém ou participando deles.
“O ser humano é o único ser capaz de desenvolver um entendimento e comunicar-se com qualquer outro ser através da busca do conhecimento e de seu uso como consequência.”
Tenho uma teoria que se resume assim: todo o animal educado é adestrado no decorrer da sua vida e sofre consequências de aprendizados corretos ou incorretos e são influenciados por inúmeros fatores, como: seu meio, sua escola, seus amigos, momentos vividos, vizinhos, gostos, religiões, preferências, condições, diferenças, relacionamentos, etc. Acho que todos nós somos adestradores em algum momento da nossa vida.
Então vamos lá: partindo do princípio que todo o ser humano tem uma visão particular do seu certo e do seu errado e um tempo para percebê-la, fazendo com que se atinja uma infinita relação de probabilidades que as separam umas das outras ou as unem em diferenças e semelhanças. É isso que irá definir a personalidade de um indivíduo. Para qualquer um é quase impossível alguém analisar ou julgar outro taxando-o ou rotulando-o disso ou daquilo.
Assim acontece com os cães. Cada cão, mesmo sendo de uma raça padrão, é diferente, reage diferente e se comporta diferente de acordo com cada dono e cada ambiente.
Aliás, desculpe, meu nome é Raphael Piccoli, sou adestrador de cães, especialista em comportamento canino há 15 anos e a partir de hoje irei expor ideias e comentar assuntos sobre nossos queridos amigos de quatro patas. Espero sinceramente que você goste.
Continuando…
O adestramento de um cão, partindo do princípio de um adestrador e pela necessidade de quem precisa, tem como objetivo facilitar o convívio do animal com o dono e do dono com o animal.
A base é: respeitar para ser respeitado.
O adestramento é usado com repetição para condicionar a atenção do animal, o tempo de resposta estimulando-o a responder um determinado comando ou associação. Com isso a margem de erro (desobediência) se torna menor que o normal. Nossa ideia aqui é buscar o conhecimento, adaptá-lo, praticá-lo e usá-lo com respeito.
A palavra associação é muito importante nesse desenvolvimento. Um cão usa basicamente sua memória associativa e seus instintos para aprender. No adestramento ensinamos o cão a associar o som das palavras ou simplesmente um gesto (comando) ao que queremos que o cão faça, como sentar, deitar, ficar e passear. A ordem de importância dos sentidos do cão são usados para facilitar o condicionamento. A ordem no cão é diferente da de um humano. Um cão usa a seguinte ordem: olfato, audição, visão, tato e paladar. Em um humano: visão, tato, audição, olfato e paladar.
Assim sendo, as percepções dos cães se tornam bem diferentes das nossas. Entendo que todo momento na minha vida, ou na sua, é como uma aula de adestramento. Em meio a erros e acertos vamos vivendo, usando os nossos sentidos e o que aprendemos na vida. Aprendendo em casa ou na rua, na escola ou pela televisão, nos livros, jornais, revistas, rádios e internet, através de exemplos e experiências, vamos envelhecendo e nos tornando alguém. Pois, como qualquer um, eu quero aprender a vivê-los da melhor maneira possível, mas de um jeito único, do meu jeito, mesmo muitas vezes errando, continuo com a esperança de virar o jogo e errar menos e acertar mais. Porque mesmo sendo um indivíduo, não estou só neste mundão. E acho que precisamos deixar algo melhor para quem está vindo para este mundo. Com os nossos amigos cães, não é diferente. Também erramos muito, tentando acertar.
Espero sinceramente aprender mais com essa experiência de escrever aqui no site novohamburgo.org, e conseguir passar algo de novo, algo bom.
Obrigado pela sua atenção!
Até a próxima.
FOTO: ilustrativa / animais.culturamix.com

